Entrega do empreendimento será realizada em junho do próximo ano. Data foi garantida após reunião com autoridades do setor têxtil e representantes da Setur-CE - Empreendimento, com custos de R$ 306 milhões, abrirá as portas no dia 12 de agosto para a Maquintex
O Centro de Eventos do Ceará já tem data confirmada para receber a primeira grande feira de negócios. No dia 12 de agosto, o empreendimento, que custará cerca de R$ 306 milhões aos cofres públicos, abre as portas para empresários e técnicos da indústria têxtil de todo o Brasil que participarão da Maquintex e, em paralelo, a 14ª edição do Congresso Nacional de Técnicos Têxteis (CNTT).
A decisão foi anunciada após reunião de autoridades do setor têxtil, representantes da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-CE) e do consórcio Galvão Engenharia/ Andrade Mendonça, responsáveis pela obra. Nela, a entrega da obra do centro foi garantida para junho do próximo ano, segundo o presidente do grupo FCEM (empresa que organizará a Maquintex), Hélvio Roberto Pompeo Madeira.
De acordo com o presidente, que também esteve presente na reunião, a confirmação do evento como o primeiro do Centro de Eventos do Ceará, considerado como o maior da América Latina, representa um marco para o setor de eventos no Nordeste.
"Para nos é muito importante, uma feira de máquinas, onde teremos acesso a pavilhões, energia, estrutura de ar comprimido. Isso vai ser um marco não só para nossa feira, mas vai trazer desenvolvimento para o Ceará. Vai ser um fomento muito grande para o turismo de negócios", avalia.
A confirmação da feira no Centro de Eventos do Ceará fez com que a organização da Maquintex repensasse o evento de forma a utilizar todo o espaço disponibilizado para o novo empreendimento.
Atrações internacionais
Com isso, a feira deve trazer atrações internacionais. "Já estamos organizando um novo layout. Países como Itália, Japão, Portugal estão vindo. Com o Centro de Eventos, a feira será ampliada pela possibilidade de trazer mais empresas. Podemos ter equipamentos gigantescos no evento", revela Madeira. A Maquintex tem se consolidado como importante evento da indústria têxtil do Nordeste. Na edição 2007, foram mais de 320 marcas expositoras, distribuídas em cerca de 80 estandes que receberam a visita de mais de 12 mil pessoas. Em 2009, foram cerca de 400 marcas, em 120 estandes e 16.440 mil visitantes. Para Madeira, o evento no ano que vem deve superar as expectativas. "Saímos de uma feira recentemente com 1900 marcas e cerca de R$ 1,5 bilhão em equipamentos comercializados. São números que não garantimos que vão ocorrer no Nordeste, mas perspectivas são excelentes de crescimento e de comercialização", projeta Roberto Madeira.
DEFICIÊNCIA - Importação de máquinas ainda é problema
Apesar de estar situado entre os maiores produtores de têxteis do Brasil, o Estado do Ceará, como o resto do País, se insere em uma realidade em que a balança comercial se mostra desfavorável. O Ceará fechou o primeiro semestre do ano com déficit de US$ 51,326 milhões. A cifra resulta da diferença entre os US$ 33,342 milhões exportados e os US$ 84,668 milhões importados pelo segmento. Os números - disponibilizados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) - mostram que o montante vendido pelo Estado ao mercado internacional é menos da metade daquilo que foi comprado, de janeiro a junho de 2010.
No Brasil, a importação de produtos têxteis e confeccionados, de janeiro a julho de 2010, aumentou 47%, contra alta de 20,9% nas exportações brasileiras. O déficit nos primeiros sete meses do ano já chega a US$ 1,88 bilhão, com um crescimento de 62,30% em relação a igual período de 2009. Se o déficit se mantiver neste patamar, deverá alcançar mais de US$ 3 bilhões até dezembro, um saldo histórico negativo para o setor.
A forte concorrência com a matéria finalizada vinda da Ásia, principalmente da China, é um desafio para o setor. Para João Carlos Lebre, o produto brasileiro, em termos de qualidade, leva vantagem. "Ha cada dez empresas asiáticas, duas tem qualidade. Elas não conseguem fazer frente ao mercado brasileiro", avalia.
GUSTAVO DE NEGREIROS - REPÓRTER - 2/9/2010
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